A jornada dos órfãos

por Natalia Maeda

 

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Acho que todo mundo que me conhece já sabe que “O Jardim Secreto” é um dos meus filmes favoritos da vida. Primeiro porque os realizadores conseguiram passar pra tela cada emoção, cada desenho de personagem, de forma muito exata. Mas, essencialmente, porque a história do livro original, escrito pela Frances Hodgson Burnett, já é primorosa, de chorar. Resumindo, é a história da menina que explora os terrenos do tio misterioso e encontra o jardim secreto da sua mãe. Uma menina órfã.

Quantas histórias de personagens órfãos a gente já viu? Acho que umas milhares, e na maioria das vezes histórias inesquecíveis. Meninos e meninas, homens e mulheres, dinossauros e peixinhos que mal sabem de onde vieram ou quem são seus pais, partem em uma jornada em que são forçados a agir como adultos, testando seus limites e se deparando com a mágica que existe dentro de cada um.

É curioso como sempre a identificação com estes personagens é imediata, seja pra quem tem seus pais ou não. Vivenciamos cada drama da história como se, de alguma forma, todos fôssemos órfãos buscando nossas identidades e origens, ou mesmo um a sensação do amor perdida no infinito de tempos atrás. Seria a busca por um retorno ao Éden? Ao útero materno? Ao conforto do carinho que nos abraçava quando nem sabíamos ser? O que é o Jardim Secreto de Mary Lennox, o que é o Vale Encantado de Littlefoot?

Enfrentar os desafios da vida não é fácil pra ninguém. Às vezes nos sentimos como crianças correndo por um labirinto de escadas que sobem e descem, explorando um casarão em que não se sabe o que se vai encontrar atrás da próxima porta. Sorte a nossa que existem histórias como estas para mostrar a nós, órfãos simbólicos, que as angústias que guardamos no peito podem virar felicidade e florescer sem medidas. Basta que encaremos a nossa jornada, sem perder de vista o nosso jardim.

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