O piquenique e o jardim

por Natalia Maeda

Não me canso de ver essas fotos e me lembrar dos belos momentos do último domingo. Foi aniversário da Tati, e resolvemos fazer um brunch no Parque Villa Lobos. Sentir a proximidade dos amigos e o contato com a natureza foi surpreendentemente revigorante, ainda mais rodeados pelas bexigas coloridas, guarda-chuvas, bolsas, colares, necessaires e outras coisas aleatórias e divertidas que penduramos na árvore.

Momentos assim me trazem esperança. Se passo horas em um ônibus lotado na hora do rush em plena São Paulo, cheia de problemas e coisas a resolver, sei que também posso dedicar parte da minha vida a cuidar de mim, de forma a me manter tranquila no meio do caos. Me traz esperança porque também apontam para outro Jardim, mais esperado, completo e florido.

Amanhã é sexta-feira santa. A lembrança do sacrifício e, portanto, da vida. Leio novamente um trecho do conto “O sobrinho do mago”, de C. S. Lewis, que se encontra nas Crônicas de Nárnia. Após cavalgar por centenas de quilômetros, o menino Digory e sua amiga Polly percebem algo adiante, na relva:

“Que é isso?” “Estão sentindo esse cheiro?” “De onde está vindo?”. Pois um aroma celestial, cálido e dourado, como se viesse das mais gostosas frutas e das mais belas flores do mundo, chegava até eles, proveniente de algum lugar mais adiante.

Era o Jardim. Ele sempre existiu. Estava lá na criação do mundo, estava quando tudo pareceu perdido, estava no sacrifício e estará igualmente presente, intacto, quando chegar o fim desta história e o começo de todas as outras. E, nesse Jardim, o verdadeiro, é onde acredito estar a maior e mais bela árvore à espera de todos nós, para o mais incrível piquenique que se possa imaginar. O Jardim sussurra um convite. Saibamos senti-lo.

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