Walter Crane

por Natalia Maeda

Quando fiz a matéria de arte e literatura infanto-juvenil na faculdade, logo vi que ilustrações iriam se tornar uma paixão para mim. Foi assim quando conheci as obras de Walter Crane, um dos artistas mais importantes do ramo e que dignificou a profissão do ilustrador no Reino Unido, no final do século 19. Ele criou grupos de trabalho, reivindicou direitos e começou a trabalhar os conceitos de toy books ao ilustrar uma coletânea de cantigas de roda para Edmund Evans, famoso especialista em gravuras da época. Seus trabalhos gráficos eram delicados e absorviam grande influência da arte japonesa.

Apesar da delicadeza, me impressiona a carga emocional que transparece em cada obra. São belas e simples, mas certamente não são leves nem lúdicas como as ilustrações recorrentes para crianças costumam ser. Consigo imaginar a desilusão da princesa quando descobre que precisa beijar o sapo para que ele se torne príncipe. Posso sentir o silêncio de seu desgosto quebrado pelo som da água que jorra da fonte, e talvez os passarinhos que cantam no bosque ao fundo. Na obra abaixo, o rosto sereno de Elaine de Astolat em meio ao rio calmo, em contraponto à expressão carregada do barqueiro, intensifica a dor da morte causada pela decepção com Lancelot, que a desonrou ao tratá-la como uma serviçal quando o que ela queria era seu amor.

Ilustrações como essas me fascinam e me fazem querer conhecer cada vez mais histórias do mundo, com suas peculiaridades visuais e cargas dramáticas diferenciadas. Mas o mais curioso nisso tudo foi que, ao pesquisar imagens para esse post, acabei encontrando algo que eu não esperava: a pintura de Crane chamada Primavera, de 1895. Não é ilustração de nenhum livro, mas achei profundamente tocante a semelhança com o plano de Kytice que, coincidentemente, selecionei para o post que fiz na semana passada sobre esse filme. Dá o que pensar.

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