Em busca da vida simples

por Natalia Maeda

 

Hoje o dia amanheceu nublado, chuvoso e deliciosamente frio. Não comemoro a chuva, visto os tantos alagamentos que castigam São Paulo por aí, mas ter acordado de madrugada com um vento gelado entrando pela janela foi como um prêmio após uma semana irritante de calor intenso.

Calor, frio, chuva, sol. Só me alegro com a chuva de hoje porque, curiosamente, faz sol dentro de mim – outrora não seria mais do que um dia péssimo como tantos outros. Ou melhor, não diria que faz sol dentro de mim, mas uma chuva feliz (já que não costumo gostar quando o sol fica forte demais). E isso acontece por um só motivo: ontem acordei decidida a ser autêntica. Como assim?

Bem, de manhã, ao passar pela cozinha suja e cheia de louça para lavar, pensei: “se eu acredito que deva ser lavada, por que não faço isso?” . Se eu visse aquela cozinha na casa de alguém, certamente a criticaria ou pensaria coisas como “essa pessoa não sabe cuidar da própria casa, quem dirá de si mesma!”. E assim, em vez de ligar o computador, como é meu costume, lavei a louça, limpei o fogão, a mesa, a pia, joguei todo o lixo fora, limpei a geladeira – e foi como se limpasse a parte hipócrita, preguiçosa de mim.

Esse sentimento de leveza se estendeu pelo resto do dia, mesmo completamente espremida no trem lotado que peguei na volta do trabalho, ou no lanche da noite (pão integral com cenoura e iogurte batido) ao som das baladas eletrônicas dos anos 90, que trouxeram a mim e à minha prima boas lembranças da adolescência. Dormi tranquila, exausta, às 22h, e só acordei de madrugada, com o vento gelado e o som da chuva.

Levar uma vida simples parece mais fácil quando tudo vai bem, mas tenho notado que uma pré-indisposição com a maneira com que temos vivido é, sem dúvida, uma alavanca necessária a qualquer mudança.

Como inspiração, a foto dessa cozinha maravilhosa que vi no Design Sponge.

Desejo um excelente dia a todos!

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