Stella

por Natalia Maeda

Um dos filmes que mais me marcaram no ano passado foi Stella, escrito e dirigido pela francesa Sylvie Verheyde da forma mais simples e delicada que eu poderia imaginar. Em um retrato autobiográfico, Sylvie conta a história de Stella, uma menina de 11 anos que vive com seus pais em um bar na periferia de Paris no final da década de 70. Entre noites dançantes e jogos de carta em meio aos frequentadores do bar, Stella acha que sabe tudo sobre a vida e que talvez nada mais seja necessário, apesar de frequentemente se sentir só. É quando ela entra em uma nova escola de classe média-alta e finalmente consegue fazer uma amiga, Gladys, judia argentina filha de um psiquiatra intelectual. Novas portas então se abrem para Stella: com a ajuda da nova amiga, da literatura e da música, passa a conhecer melhor o mundo, as possibilidades da vida e suas próprias emoções.

Ouvir a música final alguns meses após ter visto o filme despertou em mim sentimentos de melancolia feliz (fazia tempo que não os classificava dessa forma). Todos temos nossas próprias histórias de crescimento e amadurecimento, geralmente relacionadas a ambientes que contrastam com o que temos dentro de nós. Na cidade grande, temos vontade de parar o tempo. Em meio ao caos, surge o desejo de um retorno ao útero materno, às origens calmas e silenciosas como um oceano frio e quente. Queremos crescer, mas também queremos ser para sempre bebês, protegidos das ameaças e – por que não – das pessoas em geral, dos relacionamentos, das frustrações e limitações. No entanto, a vida não nos permite retornar. Não há volta uma vez que se está vivo. O tempo nos empurra.

Stella cresce. Eu cresço. Nós crescemos.

Um viva à vida, por mais difícil que às vezes seja vivê-la.

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