Pela estrada

por Natalia Maeda

Em tempos de crises emocionais, a lista de certezas certamente diminui de tamanho. Hoje, após pegar ônibus e metrôs em um calor infernal rumo a um curso que não aconteceu, consegui finalmente interiorizar a ideia de que me render ao estresse e ao desânimo não vale a pena. Chegando em casa, agradeci a Deus por ter um quarto fresco, um suco de uva gelado e uma cachorrinha feliz me recepcionando. E então me lembrei daquele significativo trecho de O Encontro Marcado, com o qual Fernando Sabino me presenteou em uma época em que nem sonhava que um dia minha vida fosse ficar mais difícil:

“De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.

É isso. Parece óbvio, mas agora entendo um pouco mais a ideia de que ter fé em Deus é como ter a certeza de que, ao caminhar pela estrada sob o sol forte, sempre verei alguma árvore à sombra da qual eu possa descansar – e, no estado em que ando ultimamente, isso de fato não é pouca coisa.

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