From the inside out

por Natalia Maeda

Por vários anos esta música me acompanhou em muitas viagens, enquanto olhava pela janela as árvores e fios de luz que passavam rapidamente, deixando fixas no céu apenas as nuvens, brancas, cinzas, revoltas ou tranquilas.

Ainda hoje, quando a ouço, sinto como se o céu se abrisse e eu voasse, explodisse na direção que quisesse. São em instantes raros como esse que paro de tentar entender exaustivamente o mundo e a vida, e apenas respiro, sinto, choro.

Afinal, como diz Chesterton em Ortodoxia, “aceitar tudo é um exercício, entender tudo é uma tensão. O poeta apenas deseja a exaltação e a expansão, um mundo em que ele possa se expandir. O poeta apenas pede para pôr a cabeça nos céus. O lógico é que procura pôr os céus dentro da cabeça. E é a cabeça que se estilhaça”.

Às vezes acho mesmo que prefiro a poesia das coisas invisíveis.

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