Como barquinhos no oceano

por Natalia Maeda

Sofi and the fish

A cada dia me convenço mais da necessidade da honestidade para a vida, como princípio de sempre lidar com a realidade como ela é (o que é essencial ao tentar mudá-la). Não se trata apenas de falar a verdade dos fatos que aconteceram, mas falar a verdade – para si e para os outros – quanto ao que se acredita e, principalmente, agir de acordo com tais crenças, sejam elas convencionais ou não.

É profundamente tentador seguir a manada, já que pensarmos por nós mesmos aparentemente nos coloca em uma maior posição de risco. Se errarmos, erraremos sozinhos? Não é melhor errarmos todos juntos de uma vez? Ora, o risco é o mesmo. Se não há como sabermos o que nos espera atrás da próxima curva, no fim das contas, o que importa é como estamos nos posicionando no aqui-e-agora. Daí a importância da honestidade como parâmetro de certeza: se estou realmente satisfeito com quem sou, se realmente estou conseguindo transparecer o que de mais autêntico há em mim (incluindo-se aí também meus defeitos e dúvidas), então não há porque me preocupar com os obstáculos que virão.

É como se cada pessoa no mundo vivesse em um barquinho que fosse só seu. No oceano, pode-se fazer o caminho que quiser. Algumas vezes é possível avistar outras embarcações e trocar com elas alguns sinais de fumaça e informações sobre como anda o tempo nos diferentes pontos do globo – mas, no fim, cabe a cada um seguir a rota que achar mais conveniente, ou simplesmente aquela que sua intuição esboçar. Aqueles que preferem seguir outros barcos por medo ou comodismo facilmente se perdem na primeira tempestade: assim como de nada adianta ficar ao léu se algo dentro de nós clama por terra firme, de pouco ou nenhum proveito será a posse do melhor mapa se não existir a vontade genuína de segui-lo.

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