De olhos vendados

por Natalia Maeda

Liniers

“A mesma medida que vocês usarem para medir os outros Deus usará para medir vocês.” (Lucas 6:38)

Ontem, pela madrugada, essa passagem me pegou (mais do que o frio de 9 graus que tentava entrar pela minha janela). Já a havia lido, mas talvez nunca tivesse prestado atenção o suficiente para perceber a seriedade da afirmação.

Um pouco incomodada, a li novamente. E, de repente, me senti pequena, com uma tristeza doída a me lembrar das tantas vezes em que, munida de minhas exigências, cheguei a rejeitar pessoas (sem que elas soubessem, imagino) porque me achava boa demais para elas.

Ainda faço isso, confesso. Me incomodo com a presença de miguxas, de gente fútil (o que é futilidade, afinal?), de gente que gosta de Fergie, de funk, de gente frenética, de gente “que se acha” – até que, pensando nisso, me veio a pergunta: será que sou eu que me acho? Sim, não sou obrigada a gostar do que essas pessoas gostam, mas se Deus diz que tenho de amá-las, tenho de amá-las pelo que há de humano nelas. E tenho de ver meus defeitos, também (chega um momento em que isso é inevitável). Afinal, Jesus mesmo disse:

“Como é que você pode dizer ao seu irmão: ‘Me deixe tirar esse cisco do seu olho’, se você não repara na trave que está no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do outro”. (Lc. 6:42)

Se Jesus se sacrificou por todos por amar a todos de forma igual, quem sou eu para dizer que sou melhor? O que é ser melhor? O que é ser mais inteligente? O que é inteligência, de fato?

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