Desenterro

por Natalia Maeda

A fitinha de cabelo imunda.

Por que ignorá-la? Por que mascarar com flores o lado perverso, sujo, pecaminoso do eu? Esse lado traumatizado, coberto de camadas de pó que se acumulam a cada dia vivido – por que rejeitá-lo?

Caminhar pelo porão escuro sempre traz seus perigos: a dor de reencontrar antigas lembranças, de remexer antigas feridas. Tatear as paredes, porém, pode ser o que nos permitirá encontrar um interruptor e finalmente, quem sabe, tornar claro o presente.

Queremos viver melhor, queremos ser felizes hoje e amanhã. Mas a dor é inevitável em qualquer tempo. Por que fingir que não existe? Por que temos de passar a segurança da sabedoria, da vivência, do aprendizado consolidado? Por que não podemos simplesmente admitir que somos todos viajantes, estrangeiros no mesmo mundo?

Anúncios