Azul-turquesa

por Natalia Maeda

Ouro Preto, MG

Daquela janelinha,
quadrada em sua moldura
respeitosamente guardada
O que se via era um azul
daqueles que doem os olhos
daqueles que a gente não sabe se é mar
ou sul

E foi lá naquela janela
que se sentou a menina
logo ela!
que não gostava de azul…

Assim que viu o céu
despedaçou-se em lágrimas
que nem chuvinha tola

E não sabia por que chorava
Nem se era choro o que trazia o vento
Mas aquele azul a incomodava tanto,
que mesmo o canto do sol que ia
servia de enlace ao seu lamento

Só então ela viu!
que, quanto mais caíam lágrimas
mais subia o fino mar,
mais chovia o céu em tino!
e mais azul tingia as páginas…

Assim a menina (ainda sem saber
que impulso a controlava)
pôs-se a rir de sua desgraça

– Vai-se o céu! Vai-se o mar!
Vai-se a vida que deste a mim!

Pediu tanto, tanto
Que tudo foi-se enfim.

E ela ficou em um mundo branco
Sem firmamento
nem cabimento.

Ela e sua janela
Ela e sua cadeira de palhinha.
– breve, como a vida que pedira,
longa como um mundo de tormento.

 

 

 

31 de janeiro de 2007
Foto: São João Del Rey, janeiro de 2007

(aos poucos vou transferindo minhas
poesias do antigo fotolog para cá)

 

Anúncios