O hoje e o amanhã

por Natalia Maeda

(esqueci o nome da artista, assim que lembrar escrevo aqui!)

Sempre me dizem e a cada dia mais me convenço de que sim, é preciso viver no presente, por mais sedutora que seja a idéia de ficar sonhando com flores e céu cor-de-rosa de um futuro imaginado. Mas fazer planos é sempre legal, principalmente quando se pode desde já começar a mexer os hashis (pelo menos psicologicamente) em direção ao alvo!

Por exemplo, essa semana eu e o Tomás ficamos pensando em como poderia ser a nossa vida no futuro. Tipo morar em uma casa na Granja Viana, com quintal, pomar, horta e móbile de contas no telhado. Dois ou três filhos, dois cachorros. Toda tarefa em conjunto pode ser uma brincadeira, e, na hora de lavar louças, cada membro da família terá um par de luvas de borracha pintadas como patas de animais ou monstros! No Natal, cada um fará os presentes para os outros e, já que o aniversário é de Jesus, todos terão que pensar em presentes criativos pra ele – pintura, música, poesia, colagem, qualquer coisa que seja realmente supimpa e feita com amor. Aos sábados, todos nos reuniremos no gramado do quintal, cada um com seus instrumentos (claro que todos vão tocar alguma coisa, nem que seja reco-reco de lápis) e faremos nossas próprias músicas para Deus sorrir.

Mas o mais importante, que o Tô fez questão de lembrar, foi que temos que aproveitar tudo aos poucos. Assim como é fácil ficar sempre pensando no futuro, também é fácil cairmos na armadilha de que só seremos felizes quando tivermos tudo o que queremos ou que achamos que precisamos. Até porque nunca se sabe o que nos espera no futuro – principalmente as coisas ruins que a gente nem faz idéia de que podem acontecer com a gente.

Hoje, só precisamos de uma coisa: existir. Temos a vida, e isso é o mínimo – ou o máximo. 

Quase toda semana me pego chorando e reclamando que não quero mais viver, que quero ir logo pro céu e não ter que me preocupar mais com trabalho, faculdade, trânsito, crise do petróleo, aquecimento global, maus-tratos a animais e toda essa cambada de gente que não se importa nem um pouco com o mundo… Me sinto tão pequena, tão vulnerável, tão impotente que parece que a vida se torna um fardo absurdo. Mas tenho meu anjinho da guarda pra me abraçar e me lembrar que, depois do fim, “não haverá mais morte, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap. 21:4), e que, se estou viva, é porque ainda tenho muito a aprender para que esteja preparada na hora de passar dessa pra melhor.

Talvez esse seja o ponto. Fazemos planos para que nosso futuro seja como queremos, mas as evidências do futuro indicam tempos que não queremos. A única saída é fazer o presente como queremos. Sermos felizes hoje, com o que temos, aproveitando cada momento como um aprendizado e sabendo desfrutar de cada alegria, mesmo que tenhamos que revirar a terra para encontrá-la. Sempre existe alguma semente esquecida que, mais cedo ou mais, tarde, aparece – resta torcer para que ainda esteja inteira e possa dar os bons frutos que sempre planejamos. Ainda assim, tenho a esperança de que, em um futuro não muito longínquo, um dia eu possa encontrá-la no quintal da minha casa, em qualquer manhã feliz de brincadeiras e sol. “Não perdi meu tempo imaginando”, será meu pensamento mais contente. Quem sabe a vida não seja legal com a gente?

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