“My strength is my silence”

por Natalia Maeda

Essa pintura da Berthe Morisot me faz pensar em algumas coisas. Primeiro eu me lembrei da Akiane Kramarik, aquela menina incrivelmente talentosa que pinta coisas absurdas de lindas praticamente desde que nasceu. Ela diz ser abençoada por Deus e que todas as suas pinturas e poesias tem por objetivo mostrar o amor dele pelas pessoas. Aos 9 anos, por exemplo, ela escreveu: “I teach and they run away. I listen and they come. My strength is my silence“.

Isso por sua vez me fez lembrar de uma vez em que Joe veio falar comigo todo irado porque uma senhora evangélica fanática tinha abordado ele na rua e não o largou de jeito nenhum. Veio dizendo que ele tinha que aceitar a Jesus, aceitar a Jesus, aceitar a Jesus! Carambolas! Será que ela nunca pensou que esse pedido não faz sentido? “Tá bom, eu aceito, Ele existiu, agora me deixa ir porque eu não quero entrar em uma religião que me faça ficar assim como você, uma maluca que não consegue nem ouvir o outro”. Pior que ele não conseguiu nem abrir a boca pra falar nada, de tanto que a senhora monopolizou a conversa. Eu fiquei revoltada com isso, achei um desrespeito tremendo e um tanto anti-cristão.

I listen and they come.

Se tem uma coisa em que eu sempre acreditei, desde que sofri pela primeira vez , foi no poder da compreensão. É como estar feliz mas sempre manter um pé na tristeza, pra não esquecer de como os outros podem estar se sentindo (coisa que certamente não aconteceu com a senhora que abordou o Joe – seria melhor ela ter ficado calada distribuindo flores, sei lá), e saber que só o fato de você estar ao lado da pessoa ouvindo com atenção aos problemas dela já é a ajuda de que ela precisa no momento. E não é só dizer “sei como é”. É de fato saber. Não é dizer “aceite Jesus”. É abraçar a pessoa com todas as suas forças, chorar com ela, ser sincero, mostrar que Deus atua e revela Seu caráter sublime por meio das nossas vidas. Um monte de vidas imperfeitas que, se unidas pelo amor, conseguem ter uma idéia, ainda que também imperfeita, da plenitude do amor de Deus. Como uma pintura impressionista feita de pequenos borrões. Silenciosa, mas que tudo diz.

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