reviravoltas no jardim

histórias, pensamentos e a terra molhada

Month: setembro, 2009

Como barquinhos no oceano

Sofi and the fish

A cada dia me convenço mais da necessidade da honestidade para a vida, como princípio de sempre lidar com a realidade como ela é (o que é essencial ao tentar mudá-la). Não se trata apenas de falar a verdade dos fatos que aconteceram, mas falar a verdade – para si e para os outros – quanto ao que se acredita e, principalmente, agir de acordo com tais crenças, sejam elas convencionais ou não.

É profundamente tentador seguir a manada, já que pensarmos por nós mesmos aparentemente nos coloca em uma maior posição de risco. Se errarmos, erraremos sozinhos? Não é melhor errarmos todos juntos de uma vez? Ora, o risco é o mesmo. Se não há como sabermos o que nos espera atrás da próxima curva, no fim das contas, o que importa é como estamos nos posicionando no aqui-e-agora. Daí a importância da honestidade como parâmetro de certeza: se estou realmente satisfeito com quem sou, se realmente estou conseguindo transparecer o que de mais autêntico há em mim (incluindo-se aí também meus defeitos e dúvidas), então não há porque me preocupar com os obstáculos que virão.

É como se cada pessoa no mundo vivesse em um barquinho que fosse só seu. No oceano, pode-se fazer o caminho que quiser. Algumas vezes é possível avistar outras embarcações e trocar com elas alguns sinais de fumaça e informações sobre como anda o tempo nos diferentes pontos do globo - mas, no fim, cabe a cada um seguir a rota que achar mais conveniente, ou simplesmente aquela que sua intuição esboçar. Aqueles que preferem seguir outros barcos por medo ou comodismo facilmente se perdem na primeira tempestade: assim como de nada adianta ficar ao léu se algo dentro de nós clama por terra firme, de pouco ou nenhum proveito será a posse do melhor mapa se não existir a vontade genuína de segui-lo.

O primeiro passo

“Não pense que ao encontrar um homem realmente humilde ele será o que a maioria das pessoas chama de “humilde” hoje em dia. não será o tipo bajulador e escorregadio que sempre diz que não é ninguém. Provavelmente, a impressão será de alguém inteligente e gentil, que se interessa, de fato, pelo que você lhe disse. Se você não gostou dele, é porque na verdade sente um pouco de inveja de uma pessoa que parece levar a vida com tanta leveza. E ele não é do tipo que fica pensando em humildade. Aliás, ele não fica pensando em si mesmo.

Para quem está realmente interessado em adquirir humildade, acredito que possa recomendar-lhe um primeiro passo, que é o de admitir que somos orgulhosos. E esse também é um passo enorme. Pelo menos você não tem nada a fazer antes dele, não importa o quê.  Se você não se acha convencido, isso é sinal de que você é arrogante mesmo.”

- de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples], por C. S. Lewis.

O reencontro

Labokoff, "Sous La Pluie"

Chove.

Cada gota d’água se alegra ao cair na terra molhada.

Finalmente retornam ao lar os que haviam saído de viagem nos barcos a vapor.

Após a lacuna

http://www.ijm.nl/

http://www.ijm.nl/

Quando me lembro do futuro, bate aquela estranha e costumeira nostalgia pelas possibilidades do que está por vir.

Quaisquer que sejam as projeções, me trazem alegria – sejam elas boas ou ruins. Talvez seja bem aquela esperança certeira dos sonhos que viram realidade, e vice e versa.

Ventos assim me sopram às vezes – mas, como são momentos raros, é sempre bom que não me esqueça de agradecer por isso.

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